Atualização das diretrizes da “Surviving Sepsis Campaign” para o manejo de pacientes com COVID-19 em tratamento intensivo.

Atualização das diretrizes da “Surviving Sepsis Campaign” para o manejo de pacientes com COVID-19 em tratamento intensivo.

Frente as novas evidências relacionadas ao manejo dos pacientes com quadros graves e críticos de COVID-19, nada mais justo do que a publicação da primeira atualização das Diretrizes da Campanha de Sobrevivência à sepse.

O documento adotou a definição da Organização Mundial de Saúde de casos graves e críticos de COVID-19, como segue a seguir.

  • Grave: Sinais clínicos de pneumonia (febre, tosse, dispneia e taquipneia) e um dos seguintes: frequência respiratória > 30 ipm, desconforto respiratório grave ou SatO2 < 90% em ar ambiente.
  • Crítico: Presença de síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) ou insuficiência respiratória necessitando de ventilação mecânica, sepse ou choque séptico.

As novas recomendações serão descritas na sequência.

Manejo da insuficiência respiratória em pacientes não intubados

  1. Posição prona: Não existem evidências suficientes para sugerir uma recomendação sobre o uso de posição prona em pacientes com COVID-19 grave que não estejam intubados.

Justificativa: Incertezas sobre o risco e benefício. Ainda aguardando o resultado de estudos clínicos.

Farmacoterapia

Corticoides (pacientes adultos com COVID-19 grave ou crítico)

  1. Recomendação favorável ao uso de ciclo curto de corticosteroides sistêmicos em vez de não utilizar (recomendação forte, evidência de qualidade moderada).

Justificativa: Alta qualidade de evidência relacionando corticoide e redução na mortalidade. Efeitos adversos mínimos com um curso curto, além de amplamente acessíveis e disponíveis.

  1. Sugestão para o uso de dexametasona em vez de outros corticosteroides (recomendação fraca, evidência de qualidade muito baixa). Caso a medicação esteja indisponível a equipe poderá utilizar outro corticoide em dose equivalente a dexametasona 6mg ao dia pelo período de 10 dias.

Justificativa: Ausência de um trial comparando tipos diferentes de corticoides. A dexametasona está amplamente disponível e seu uso esteve relacionada a melhores desfechos. Dúvidas se efeito de droga ou de classe.

Antivirais

  1. Hidroxicloroquina (pacientes adultos com COVID-19 grave ou crítico): Recomendação contrária ao uso de hidroxicloroquina (recomendação forte, evidência de qualidade moderada).

Justificativa Evidência de qualidade moderada mostrando ausência de benefício em mortalidade e necessidade de suporte ventilatório.

  1. Plasma convalescente (pacientes adultos com COVID-19 grave ou crítico): Sugestão contrária ao uso de plasma convalescente fora de ensaios clínicos (recomendação fraca, evidência de baixa qualidade).

Justificativa: Evidência de baixa qualidade de ensaios randomizados que não conseguiram mostrar melhora de desfechos. Aguardando o resultado de ensaios clínicos.

  1. Remdesivir (pacientes adultos com COVID-19 grave): Sugestão para uso do remdesivir IV em pacientes sem ventilação mecânica em vez de não utilizar. O remdesivir deve ser idealmente iniciado dentro de 72 horas após o teste de antígeno ou PCR positivos para COVID-19 em pacientes com síndrome respiratória aguda grave.

Justificativa: Ensaio clínico mostrando redução no tempo de recuperação e internação hospitalar. Resultados divergentes em relação a mortalidade, sugestão de possível redução em mortalidade em pacientes que não são ventilados invasivamente.

  1. Sugestão contrária ao uso de remdesevir IV em pacientes submetidos à ventilação mecânica invasiva (recomendação fraca, evidência de baixa qualidade).

Justificativa: Dados limitados que comprovem benefício no uso de remdesivir em pacientes com ventilação invasiva. Mantida recomendação franca contrária ao uso da medicação nesta população até surgirem mais dados e levando em consideração a baixa disponibilidade da medicação e seus custos.

  1. Anticoagulação (pacientes adultos com COVID-19 grave ou crítico): Recomendação favorável ao uso de profilaxia farmacológica de tromboembolismo venoso em vez de não utilizar a profilaxia (recomendação forte, evidência de qualidade moderada).

Justificativa: Evidências de alta qualidade de estudos em população não COVID mostrando que a profilaxia é superior à ausência dela. A incidência de trombose é alta em pacientes com COVID.

  1. Sugestão contrária ao uso rotineiro de anticoagulação plena fora de ensaios clínicos em pacientes sem evidência de trombose venosa (recomendação fraca, evidência de qualidade muito baixa).

Justificativa: Aguardando resultado de ensaios randomizados.

 

 

Para saber mais acesse o post Recomendações da “Surviving Sepsis Campaign” para o manejo de pacientes críticos com COVID-19.

Para acessar o resumo das recomendações clique AQUI.

 

Referências



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